Obras


Livro de Artista

O Oráculo

Livro de artista. Nankim sobre páginas do romance “O Amante”, de Marguerite Duras. Trata-se de uma leitura do romance redesenhando cada página com processo de seleção e cobertura do texto, deixando para ser visto e lido apenas uma palavra ou frase por página. O Livro deve ser visto como um oráculo: Antes de abri-lo faça a si mesmo uma pergunta, em seguida, abra o "O Oráculo" em uma página qualquer, ao acaso. O texto encontrado é sua resposta.
Volume único com caixa de madeira e vidro, assinado e carimbado com marca "FA" em relevo. Dimensões: 21x12,5x5cm. (fechado), 118 páginas, 2004

Marcas de Guerra

Livro de Pintura e desenho sobre tela, realizado no período de 2007 a 2017
Volume único, encadernado em capa dura, assinado e carimbado com marca FA em relevo.
Técnica mista sobre tela, encadernado com capa dura. Dimensões: 70x45cm, 20 páginas, 2007/2017

Aparelhos

Acrílica e carvão sobre tela em caixa de mdf e vidro, 16 páginas. Dimensões 40x50x3cm. Volume único, assinado e datado. Paris, 2001

Confissões

Técnica: Colagem, fotografia, desenho, texto, nankim sobre papel, 36 páginas, condicionado em caixa de madeira, 30x21x3cm, (desenhos avulsos) 31x21cm, 2006-2017

A Biblioteca do Artista - Catálogos

Técnica mista sobre papel, dimensões variadas, 1995-2017

A CASA DO PASSADO - dentro fora através

Técnica mista sobre catálogo de exposição de arte.
Dimensões 30x42cm, 30 páginas, assinado e carimbado com iniciais do artista FA em relevo, Vitória-ES, 2012
Volume único

AMILCAR DE CASTRO

Da série A Biblioteca do artista, diálogo com a obra do artista Amílcar de castro.
Acrílica sobre catálogo de exposição do artista, 24x30cm, 54 páginas. 2008

Investigações sobre a origem do universo

Livro sanfonado
Volume único, encadernado em capa dura, assinado e carimbado com marca FA em relevo.
Técnica mista sobre papel filtro, 16 páginas, dimensões: 50x50 cm, 2017




Arte colaborativa

Trabalho colaborativo com a artista Jill Moser (New York) Projeto em processo, monotipia, acrílica e colagem sobre papel 2015


Quando não se pode ver

Série de fotografias que busca tratar do ato amoroso no ponto em que não se pode ver




OS ULTIMOS DIAS DO MEU PAI

Em 2003, eu morava em Londrina-PR e, certo dia recebi uma mensagem deixada por uma senhora, vizinha dos meus pais, da cidade de Medeiros Neto, interior da Bahia: “Fernando, seu pai está muito mal, venha urgente...” Era uma mensagem de morte. Naquele mesmo instante comecei a me preparar para a viagem. Coloquei na mala as câmaras fotográficas que eu tinha (uma compacta digital Coolpix 950 e uma analógica Nikon F5), papel, bico de pena e tinta nanquim. Eu estava com 43 anos de idade e ía, assim me encontrar com meu pai em seus momentos finais.
Eu já fotografava e desenhava a casa dos meus pais desde o tempo de estudante, na UFMG, quando os visitava na Bahia. No curso dos anos meu pai adoeceu, instalou sua cama em um canto da sala e ali conversava com as pessoas. Agora que estava doente, eu deveria parar de fotografá-lo? A resposta seguiu o curso natural das coisas: eu o fotografaria, o desenharia, na morte, pelo mesmo motivo que o fizera na saúde. Não iria fugir dele agora, não iria negar sua doença, nem sua imagem, não iria lança-lo no escuro sombrio da não imagem. A fotografia e o desenho tornou-se uma experiência, um exercício de pensamento, uma maneira de dar forma ao que não tem forma, uma maneira de dizer que estava lá e, passar com meu pai seus últimos momentos. Eu me dispus a fazer estas imagens por se tratar do meu pai, mas sei que elas evocam, ainda que de maneira incompleta, o destino de todos os homens. E sendo ele, “seu” Josa o foco dessas imagens, eu poderia fazê-las com objetividade. Eu já o nomeava antes na terceira pessoa em nossas relações, e ao fotografá-lo e desenhá-lo sei que estas imagens, não são imagens sobre meu pai.


Fotografias digitais, desenhos nanquim sobre papel, dimensões diversas, 2003